Abas e sub Abas

 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Regresso


Um adulto só o é verdadeiramente, quando adquire maturidade independência, conhecimentos e tem capacidade de sozinho gerir a sua própria vida...isto tudo com serenidade confiança, e ética indispensável nas relações com as pessoas...

Tudo tem um começo, e esse começo, inicia-se em casa, a educação dada pelos pais, desde correrias pelas escadas, bater com portas, deitar lixo no chão, ajudar os mais velhos, são gestos que se reflectirão no futuro.
O ser e o saber estar...
A escola tem um papel fundamental, na continuação do trabalho feito pelos pais, e ainda fornecer conhecimentos, e formação nas mais variadas áreas.

Os meus primeiros anos foram passados num colégio de freiras em Moçambique, a rigidez e exigência das freiras completou o regime (quase militar) imposto pelo meu pai.
Paraquedista....

Já havia os primeiros rumores, sobre o 25 de Abril, e na cidade da “Beira” em Moçambique onde vivíamos na altura, apareciam os primeiros incidentes, provocados, por confrontos, entre militares e as forças armadas…
Estava a chegar a hora de regressarmos…

O regresso ás origens não foi fácil, confundia-se as pessoas empreendedoras que lutavam, por um objectivo e uma vida melhor, com as que se acomodavam e nunca saíram da “santa terrinha”) então denominaram-nos de retornados….

Por outro lado, com o pós 25 de Abril, começava-se a pensar com optimismo, e lentamente a encarar a realidade com outra expectativa de vida…
Realidade que só é possível estudando, ou fazendo, cursos profissionais sendo essa ultima foi a minha opção, após ter concretizado o ensino básico, após anos de adaptação a uma cultura diferente da que vinha adaptada.
Como já referi os chamados “retornados” (apesar de eu ter regressado antes do 25 de Abril) não foram bem recebidos (vieram tirar o lugar dos que aqui não queriam trabalhar, dizia o povo) e essa descriminação também teve o seu peso, nos anos que se seguiram.

Tornei-me digamos uma revoltada, e agradeço a educação que os meus pais me deram para poder ter maturidade suficiente, para me tornar no que sou hoje.
Uma optimista, que não se critica, não se preocupa com os seus pontos fracos, mas eleva a sua auto estima, e esforça para atingir objectivos e vitórias.

Tendo em conta limites, mas que acredita, nas suas capacidade para ultrapassar obstáculos.